Henri Atlan

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Este é apenas um exemplo da imensa variedade de enfoques nas áreas das ciências humanas e sociais, da ética e dos estatutos jurídicos, que se nos apresentam à criatividade, a favor do maior bem estar e felicidade dos seres humanos, com gênese na obra inspiradora de Henri Atlan e a partir de suas discussões dos impactos culturais da tecnologia de reprodução assistida do útero artificial. 

Sobre o autor Henri Atlan                                      
 
Projeto Ghente - Como este autor pode ser contextualizado na literatura científica?
Ana Maria -
Henri Atlan é médico e biofísico, tendo participado de 1983 a 2000 do Comitê Consultivo Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Saúde, na França e sendo o fundador e diretor de estudos da cadeira de Filosofia e Ética da Biologia na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) em Paris. É importante assinalar o quanto todas estas orientações tão diversas entre si, se conciliam, cada uma mantendo seu rigor e excelência específica, sob a égide da filosofia espinosista, que vem regendo o pensamento de Atlan, desde 1986. Assim sua participação na literatura mais estritamente científica se processa de forma paralela àquela em que o autor mergulha na mitologia, na antropologia e na ética, em busca do significado a ser dado às conquistas da biologia molecular e da biotecnologia aplicada à medicina, com uma versatilidade tanto mais rara quanto criteriosa e profunda, distante de amálgamas conceituais, como veremos ao falar de sua postura "intercrítica" a seguir.

Atlan é o autor de uma inovadora teoria da auto-organização nos seres vivos pelo ruído que permitiu compreender a simultaneidade dos processos de desorganização e organização no contexto mecanicista da biologia molecular e de suas interpretações informacionais (1972), assim como de uma transposição cuidadosa de alguns de seus princípios para as ciências sociais e humanas (1979). Esta teoria contribuiu significativamente para o desenvolvimento das ciências da complexidade e, sempre devidamente revista,  continua a ser um dos eixos norteadores da obra atlaniana.

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  Prefácio de "Útero Artificial"

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A área científica de atuação de Atlan no Hospital Universitário de Hadassah de Jerusalém, onde é chefe de laboratório no Departamento de Biofísica e Medicina Nuclear, situa-se no contexto da modelização do sistema imunológico. Com base no fato de que o cálculo por redes formais de neurônios permite analisar mecanismos de aprendizagem não-supervisionada, Atlan criou uma teoria física da intencionalidade a partir de observações de redes de autônomos boleanos, capazes de efetuar procedimentos de classificação cujos critérios de reconhecimento são auto-engendrados, não-programados como tal. Desenvolvida em território científico altamente especializado, esta pesquisa, constantemente atualizada, presta-se, contudo, a uma consistente interpretação filosófica do monismo psicofísico espinosista. (Atlan, no prelo).

No nível operacional, sua atividade vem apresentando resultados práticos tais como a criação de uma vacina terapêutica contra a AIDS, que, de acordo com os princípios auto-organizacionais, não trabalha diretamente com o vírus, mas com o sistema imunológico como um todo, de forma a interromper o processo auto-imune, quando o corpo passa a atacar a si mesmo. (Journal of Clinical Virology,2004). Esta vacina, que já foi aprovada em testes laboratoriais, está agora em processos de testagem clínica, de forma a vir a ser associada ao coquetel antivírus.

Assim, também no seu prefácio de 2007, Atlan esclarece não trabalhar diretamente com a área da procriação medicamente assistida. Todavia, utiliza seu conhecimento em matéria científica para descrever fidedignamente os procedimentos técnicos em torno do útero artificial, inovação da biotecnologia de reprodução assistida  que considera inelutável, no longo prazo. A partir daí,  realiza uma “experiência de pensamento” (ou ‘speculative fiction’) acerca de quais seriam as repercussões sociais, culturais e jurídicas de seu uso futuro, solidamente embasado para tal em sua experiência de dezessete anos no Comitê Consultivo Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Saúde.
                                           
Projeto Ghente- O que é o estilo “intercrítico” do autor?
Ana Maria - Como Atlan realiza pesquisas e estudos tanto nas áreas das ciências naturais e exatas, quanto naquelas das ciências sociais e humanas e sendo o seu pensamento uma das matrizes do novo paradigma da complexidade – orientação do conhecimento que procura surpreender a relação intrínseca que haveria  entre todos os fenômenos da natureza, abrangendo assim os assuntos de todas as ciências – desde logo ele precisou definir de que pontos de vista epistemológico e metodológico abordaria esta complexidade. Em 1986, ele define uma postura intelectual a respeito, segundo a qual distingue as diferentes racionalidades que utilizamos, para conhecer os fenômenos, segundo pontos distintos de  observação que  obedeceriam a regras diferentes entre si.  A ‘racionalidade científica’ funciona segundo os critérios do raciocínio científico e operacional, caminhando do particular para o geral, sendo limitada pelas condições impostas pela aplicação de rigorosos métodos, de que se faz rodear, a objetos que lhe são adaptados e, por esta razão, cuidadosamente circunscritos e definidos. Já a ‘racionalidade mítica’ procura surpreender o que dá um sentido às coisas (...) preservando o caráter único de cada experiência do indivíduo e o caráter central e obrigatório da intuição primeira de nosso corpo, do nosso meio biológico e social. Pertencem à racionalidade mítica o mito e a arte, assim como expressões do Inconsciente individual e de grupo.

A distinção entre as duas racionalidades, antes de tudo, visa sua eficácia em dois diferentes domínios da natureza. Se a racionalidade científica pretende um controle da realidade concreta através da técnica, a racionalidade mítica é a que explica os aspectos da existência no plano dos desejos e valores, donde cria também a ética, conforme vivida pela maioria dos indivíduos e grupos sociais. Esta eficácia seria dada pelo movimento de "intercrítica", que, embora elaborado por Atlan em 1986, passa a ser um dos sutis referenciais que acompanham toda a sua elaboração teórica nas fronteiras do conhecimento. 

A atividade intercrítica se processaria  justamente NO espaço das fronteiras entre as discussões envolvendo as duas racionalidades, sob a égide reflexiva da ‘racionalidade filosófica’, que nele habita, consoante ao monismo ontológico (expresso, todavia, em um dualismo conceitual) espinosista (Atlan, 2003ª). Atlan leva em conta substantivamente que “o real não é verdadeiro. Ele se contenta apenas em ser. E nós construímos uma verdade em volta dele, e depois outra, como um ornamento, não de forma arbitrária, evidentemente, mas tendo certos objetivos em vista. (Atlan, 1991:29)

Sendo os objetivos buscados através das duas racionalidades  diversos entre si , para que possam convergir, no momento da prática, expressos em vida mais plena, devem ser considerados em diversos níveis de  incomensurabilidade. É, aliás, justamente tal impossibilidade de tradução imediata que lhes faculta a  mútua inseminação. A intercrítica  consiste numa atividade de utilização das  interfaces entre as racionalidades como espelhos,  que permitam a cada saber refletir sobre seus valiosos pontos duvidosos, reformulá-los, reapresentá-los, erigindo, deliberadamente, “barreiras” entre suas explicações, recriando-se e reconstituindo-se. Assim, pode ser, inclusive, mais funcional, se e quando  solicitado a servir a decisões tomadas em comum com os outros saberes.

Embora o lócus eleito da atitude intercrítica seja  nos intervalos entre ciências naturais e ciências humanas e sociais, ou seja, entre os conhecimentos relativos ao que Spinoza denomina matéria e mente,  ela pode ser exercitada em todas as comparações entre temas sujeitos a enfoques distintos num mesmo contexto, especialmente quando questões de "técnica" e "significado" estão em jogo, como no entendimento das relações entre clonagem e o útero artificial.

Opiniões

Interessante e profunda a entrevista. Falando sobre um tema de crescente importância, embora ainda não tão visível assim, mereceria uma circulação mais ampla, mesmo que para isso tivesse que minimizar discussões um tanto específicas e áridas para o leitor mais leigo.... Parabéns.

Antonio Queiroga
Professor universitário

O tema é instigante e requer muitas reflexões em diferentes áreas do conhecimento, repercutindo na cultura em valores e crenças tão fortemente estruturados, bem como nas representações psíquicas.
E, a partir daí podemos pensar numa transformação radical das noções de família, maternidade e paternidade.
No trabalho com terapia familiar, hoje já se questiona esses conceitos diante das mudanças sociais, mas não se tem, ainda, uma dimensão do que poderiam se tornar essas relações no futuro.
O útero artificial como qualquer tecnologia de reprodução em si mesmo é praticamente "neutro", podendo se prestar ao bem e ao mal. O que me parece extremamente importante é que iremos esbarrar em questões éticas difíceis. Mas, felizmente, o autor ao levantar o tema se preocupa com a questão ética, que ao meu ver é a única dimensão que não pode ser esquecida para que possamos ter no futuro indivíduos mais saudáveis mentalmente.

Maria Beatriz Durão da Silva
Psicóloga Clínica

É sempre um prazer e um estímulo ao pensar a leitura de uma entrevista como essa, na qual uma pessoa séria e inteligente analisa o pensamento e o trabalho de um autor com as mesmas qualidades. Chamou a minha atenção o alerta de Atlan sobre a necessidade de um diálogo intercrítico entre os poderes da palavra científica, política e midiática.
Fiquei matutando sobre o que é mesmo a maternidade em termos psicológicos para mim, de fato e idealmente. Sobre a construção da identidade materna pela mídia, e o que ciência e política têm a ver com esse tema quente.
Veio a vontade de ler o livro para entender melhor a questão.

Maria Lucia de Andrade Pinto
Assistente Social

A entrevista de Ana Maria é realmente excepcional, não apenas por mexer com as nossas certezas, mas também pela exatidão de seu raciocínio e preocupação com a fidelidade na exposição da abordagem atlaniana, o que transparece ao longo de toda a entrevista. Mas não poderia deixar de assinalar o frio que me percorreu a espinha, em varias passagens. Assinalo, à titulo opinativo, que, na minha maneira de ver, nao é obvia, como Ana deixou transparecer na entrevista, que a gestaçao seja um fardo e que não se possa encontrar prazer em gerar, parir e cuidar. Com certeza temos aqui uma vasta, longa e profunda discussão. Um outro aspecto, agora referente à mudança das relações sociais num futuro, nem tão distante assim, refere-se aos conceitos de software e de hardware; tem-se a impressão que, com o avanço das ciências complexas, esses dois conceitos, que sempre estiveram, nas sociedades humanas, de alguma maneira descompassados, agora poderiam encontrar uma sintonia, mesmo que isso possa representar o fim, e não a preservação, da espécie humana.

Alberto Najar
Presquisador ENSP (DCS)/Fiocruz

Ao ler a entrevista, meu lado humanista não sabe se se assusta ou se enche de esperanças pelo futuro da humanidade. No entretanto, percebendo nesta nova concepção um laivo de verdadeira esperança na busca de um humano mais amoroso, dado pela entrevistada a partir das idéias Atlanianas, agradeço o prazer de ter lido um texto tão interessante e que nos oferta infinitas possibilidades.

Lucia M Bitencourt
Professora

O tema é instigante, polêmico, mas a entrevistada consegue colocar esperança e otimismo, tornando-o mais humano, o que a meu ver, aproxima a sociedade deste debate.

Paula Duarte
Estudante de psicologia

14/02/2007
O tema foi excelente, além de ter sido abordado de uma maneira esclarecedora pela psicanalista Ana Maria, mas vejo que este é realmente um assunto polêmico e que gerará muitas discussões, afinal esbarra num complexo "sistema sócio-cultural", pois irá ser, querendo ou não, uma nova estruturação familiar. Com isso, as propostas Atlanianas terão que ser muito discutidas, tendo uma ampla abertura para a sociedade, mas de qualquer forma considero uma boa inovação, parabéns à Ana Maria, pois com essa entrevista conseguiu explicar de uma forma sucinta o tema.

Wilton Rocha Gonçalves
Acadêmico de Enfermagem

16/02/2007
Muito boa a entrevista. Mostra um nível elevadíssimo de discussão e reflexão sobre um tema que deve ser analisado sob o aspecto ético e humanístico. É de materiais, debates e entrevistas como esta que necessitamos em uma sociedade ainda imatura no que diz respeto a abordagem de temas polêmicos que deveriam ser tratados de forma "multidisciplinar". Nada melhor do que ler o livro para apreciar de maneira completa o tema, o qual parece ser abordado de maneira muito inteligente por Atlan.

Rodrigo Brisson
Estudante de Medicina

19/02/2007
Definitivamente o útero artificial será a invenção mais importante de todas já que cria uma forma completamente diferente de nascermos (ou decantados em Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley), ficamos totalmente sem palavras para imaginar como será a psicologia, fisiologia, e sexualidade dos nascidos nestes aparelhos. Serão eles mais fortes e inteligentes por causa da possível dose extra de nutrientes que receberão enquanto que os outros bebês receberão apenas os nutrientes dados pelo útero materno? Não reconheceram ninguém em especial como mãe por causa da falta da voz da mãe ou dos seus batimentos cardíacos ou esses fatores serão simulados e até mesmo oferecendo ao bebê vozes e batimentos cardíacos de outras pessoas (o pai, ou pais, ou mães no caso de um casal gay)? Depois do desenvolvimento do útero artificial quanto tempo levará para que ele supere o útero materno oferecendo um ambiente mais seguro e a um desenvolvimento melhor do bebê? Quais serão as implicações sociais desta invenção que já é controversa décadas antes de sua invenção? Será o útero artificial capaz de solucionar a questão do aborto? Não teremos mais que nos preocupar com prematuros? Como os que nascerão desses aparelhos pensarão sobre a vida e o mundo e como serão tratados, como pessoas superiores e mais desenvolvidas ou estigmatizadas? Há possibilidade deste ser considerado uma melhor alternativa de reprodução que o útero materno no futuro pós-ectogenese? Estas são perguntas que são simplesmente de resposta obscura demais para vislumbrarmos como será o futuro.

Ramon dos Santos Amoedo
Estudante

25/02/2007
Não tenho útero, é difícil alguém gerar por mim. Seria bom que a ciêencia avance um pouco mais, é isso que espero das ciencias biologicas.

Lidyane Christina Santos Costa
estudante de ciências biologicas

18/03/2007
Enquanto lia a matéria sobre "Útero Artificial", imaginei que tal coisa só seria imaginável em algum filme de ficção.
Porém, penso que tal desenvolvimento só teria a contribuir,não só em pró dos animais considerados em extinção como também, possibilitando muitos casais que desejam ter filhos a realizarem este sonho.
Confesso que jamais tinha imaginado algo do tipo, mas adorei a notícia.

Livia Vidal
Estudante

29/03/2007
Esse é realmemte um assunto de grande responsabilidade, mas no meu ver, mesmo  q existisse eu não sou a favor.

Fernanda Lima
Estudante

20/04/2007
Sem sobra de dúvidas, acho sensacional essa ciência capaz de inovar através da tecnologia e com isso gerar novo ser capaz de tentar melhorar o mundo.

Lara Lima
Estudante


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