Farmacogenética, Nanobiotecnologia, Terapia Gênica e Patenteamento das novas Tecnologias: avanços e impactos para a Saúde
Nos dois dias de Seminário, público teve acesso às atuais tecnologias empregadas na área da genética humana.

Karla Bernardo

Estudos de caso, desafios para platéia, apresentações impactantes. Muitas foram as formas de apresentação escolhidas pelos especialistas para expor ao público os avanços proporcionados pelas novas tecnologias na genética humana. O Seminário “Novas Tecnologias da Genética Humana: Avanços e Impactos para Saúde” organizado pelo Projeto Ghente nos dias 22 e 23 de março de 2007 com apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde - DECIT/MS e da Organização Pan-americana da Saúde - OPAS/OMS, proporcionou a trezentas e vinte pessoas, de diferentes universidades, instituições de pesquisa e ensino do Brasil dois dias de Seminário sobre o tema. Segundo a média do resultado de apuração das informações contidas no Relatório de Avaliação, o evento foi classificado como excelente no nível de discussão e reflexão proporcionado pelas palestras.


Ismar Ferreira da Costa, Maria Celeste Emerick e Reinaldo Guimarães

A abertura do seminário foi uma reflexão sobre as políticas públicas brasileiras na área da Saúde e contou com a presença de Reinaldo Guimarães, Vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento tecnológico - VPPDT/FIOCRUZ,  Maria Celeste Emerick, Coordenadora Geral do Projeto Ghente e Ismar Ferreira da Costa, Coordenador  do Fórum de Biotecnologia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC. Reinaldo Guimarães, em sua palestra, abordou a importância da discussão do papel das novas tecnologias na área da saúde. Já Ismar Ferreira da Costa, em sua palestra sobre a  nova "Política de desenvolvimento da Biotecnologia no Brasil" ( 1.912Kb) destacou a capacidade inovadora da biotecnologia. Segundo Ismar, “a política de biotecnologia tem como objetivo  aproveitar a riqueza da biodiversidade brasileira e o potencial científico nacional para transformar conhecimento em produtos e processos biotecnológicos inovadores e competitivos, com responsabilidade ambiental.” Para ele, o maior beneficiário dessa política é o povo brasileiro, que terá acesso a novos materiais, produtos, medicamentos, capacidade energética renovável e mais qualidade de vida.

O Senador Wellington Salgado de Oliveira em seu discurso
Ainda na área de políticas públicas, o Senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB/MG) em seu discurso, no segundo dia do Seminário, colocou à disposição do Projeto Ghente e do público que assistiu ao evento, a recém-criada  Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado, como um fórum aberto para discussão de projetos que contribuam para a garantia da transparência na área da Ciência e Tecnologia. Segundo Wellington, a Comissão está aberta a examinar matérias referentes ao desenvolvimento científico e tecnológico, biotecnologia, clonagem, transgenia, bioética, energia nuclear, materiais radioativos, fontes alternativas de energia, pesquisa aeroespacial, robótica, automação industrial e política de incentivos à pesquisa.

Farmacogenética: Balanço das pesquisas e perspectivas de Futuro


Rogerio Vivaldi da Genzyme em sua palestra sobre Terapia de Reposição Enzimática

Após o coffee break, o pesquisador Wim Degrave - VPPDT/FIOCRUZ convidou para a mesa sobre Farmacogenética os pesquisadores Rita Estrela do Instituto Nacional do Câncer - INCa, Rogério Vivaldi da Genzyme e Marlene Braz da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - ENSP e Instituto Fernandes Figueira - IFF/FIOCRUZ). Rita Estrela começou sua palestra, "Farmacogenômica: alguns exemplos de possível relevância clínica", ( 1.427Kb) afirmando que todas as experiências na área de farmacogenética no Brasil ainda estão em fase inicial, não havendo nenhum produto advindo deste campo de pesquisa. Para ela, os maiores desafios da farmacogenômica - como promessa de medicina personalizada – são: a caracterização molecular das doenças, a identificação de marcadores moleculares da resposta farmacológica e os aspectos éticos que cercam o tema. Rogério Vivaldi, em sua palestra, "Terapia de Reposição Enzimática: passado, presente e futuro", ( 5.403Kb) expôs para o público sua experiência com a terapia de reposição enzimática e apontou os medicamentos já desenvolvidos e perspectivas para o futuro. Marlene Braz  fez uma reflexão sobre os benefícios e riscos do conhecimento das informações genéticas para o indivíduo. Em sua palestra, "Conhecimento das Informações Genéticas: benefícios e riscos individuais", ( 202Kb) Braz citou exemplos de mau uso destas informações e alertou para falsos conceitos, como por exemplo, o determinismo genético.

Terapia Gênica em Doenças genéticas e degenerativas


Volnei Garrafa, bioeticista da Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília, em sua palestra, "Bioética e Ciência: os limites da manipulação da vida

Na parte da tarde, a mesa de Terapia Gênica, com a coordenação de Sergio Rego, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - ENSP/FIOCRUZ, foi composta de especialistas de diferentes instituições que apresentaram suas pesquisas nesta área. O médico Juan Llerena, do Instituto Fernandes Figueira - IFF/FIOCRUZ, em sua palestra, "Doenças Genéticas: desafio para o SUS" ( 3.757Kb) mostrou casos reais de pacientes com diferentes doenças genéticas e a visível melhora após o tratamento. Destacou também a importância do progresso na pesquisa nesta área. Melissa Gava, da USP, na palestra entitulada "Terapia Genética: Onde estamos e para onde iremos. Esperança ou Ilusão?", ( 5.685Kb) apresentou explicação teórica sobre a aplicabilidade da Terapia Gênica e demonstrou exemplo prático aplicado à sindrome genética Xeroderma pigmentosum (XP). Sang Won Han, da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, mostrou os resultados da terapia gênica aplicada a pacientes com isquemia dos membros e o bioeticista Volnei Garrafa da Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília, em sua palestra, "Bioética e Ciência: os limites da manipulação da vida" ( 139Kb) convocou a platéia para refletir sobre os limites da interferência das novas tecnologias no ser humano.

Nanobiotecnologia: Benefícios, vantagens e riscos para o ser humano


Paulo Martins, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em sua palestra, "Desenvolvimento Recente da Nanotecnologia no Brasil: reflexões sobre a política de riscos e impactos"

Na abertura da mesa de nanobiotecnologia, coordenada por Silvio Valle Escola Nacional de Saúde Pública - ENSP/FIOCRUZ, foi exibido o DVD "Nanotecnology", um filme didático, que informou sobre as principais aplicações da nanotecnologia. O palestrante Nelson Duran Universidade de Campinas - UNICAMP apresentou em sua palestra "Rede de Nanobiotecnologia: perspectivas na área da saúde humana", ( 3.118Kb) os principais resultados das pesquisas na Rede de Nanotecnologia do CNPQ. Paulo Martins do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, alertou, em sua palestra, "Desenvolvimento Recente da Nanotecnologia no Brasil: reflexões sobre a política de riscos e impactos" ( 578Kb) para aspectos sociais, ambientais e de biossegurança envolvidos nas pesquisas da bionanotecnologia. O palestrante Oscar Malta da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, ausente no Seminário por problemas de saúde, disponibilizou sua palestra, "A Nanotecnologia Molecular como portadora de futuro com desenvolvimento sustentável", ( 1.180Kb) para os interessados em obter informações sobre as pesquisas atuais da rede de nanotecnologia molecular e de interfaces.

Patenteamento das novas tecnologias: Principais desafios e perspectivas


Maria Celeste Emerick coordenando a mesa de Patentes das Novas Tecnologias

A coordenadora do Projeto Ghente e Coordenadora de Gestão Tecnológica da Fiocruz, Maria Celeste Emerick, abriu a tarde do último dia do Seminário com a abordagem de um tema importante, mas pouco discutido: Patentes na área da biotecnologia. A palestrante Ana Cristina Muller destacou em sua palestra, "Patentes para Novas Tecnologias", ( 1.180Kb) que o sistema de patentes  deve ser utilizado não só para a proteção de uma invenção, mas também para o conhecimento das mais importantes e atualizadas informações tecnológicas na área da ciência. Ana Muller enfatizou também a importância da proteção às novas tecnologias, em especial na área da bionanotecnologia. O palestrante Alex Todorov do Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI, esclareceu as dúvidas da platéia sobre o patenteamento na área da biotecnologia e em sua palestra, "A Patente como Fonte de Informação Tecnológica", ( 864Kb) mostrou como o INPI pode ser acessado por qualquer interessado em informação tecnológica. Já a palestrante Adriana Diaféria, conselheira do Projeto Ghente e gerente de Biotecnologia da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI, fechou o evento fazendo uma abordagem de mercado na área da biotecnologia. Em sua palestra, "Patentes de Genes Humanos e a Tutela dos Interesses Difusos", ( 91Kb) Diaféria falou sobre os complexos fatores que permeiam e compõem a instituição da propriedade industrial para a proteção das invenções biotecnológicas envolvendo genes humanos, uma vez que as especificidades e peculiaridades próprias do material biológico e a complexidade de preenchimento dos requisitos para a concessão da patente poderão dar causa a situações de alto grau de conflituosidade entre diversos interesses, criando empecilhos ao desenvolvimento científico, tecnológico e econômico da nação brasileira.

Veja Mais:

  • Galeria de Fotos do evento “Novas Tecnologias da Genética Humana: Avanços e Impactos para Saúde” clique aqui

“Nanotecnologia, sociedade e meio ambiente"
Paulo Martins

Livro disponível para download (1.038 Kb - Arquivo formato Adobe Acrobat Reader - *.pdf)

Este livro é o resultado do Segundo Seminário Internacional da Rede de Pesquisa em Nanotecnologia,Sociedade e Meio Ambiente e trata da nanotecnologia e sua interface com a economia, o meio ambiente,a sociedade,a agricultura,a ética e o direito.

   

“Patentes de Genes Humanos e a tutela dos interesses difusos”
Adriana Diaféria, 2007, ISBN: 9788537500149, Lumen Juris Editora, 253 páginas.
Leia a resenha do livro
Este livro analisa a problemática das invenções envolvendo genes humanos e sua relação com os interesses difusos no âmbito da propriedade industrial, com o intuito de demonstrar a viabilidade de proteção do direito ao progresso econômico, científico e tecnológico, direito humano de 3ª geração na Constituição Federal brasileira.