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Nanotecnologia: Avanço tecnológico com desenvolvimento sustentável

O físico Oscar Manuel Loureiro Malta é pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador executivo da Rede de Nanotecnologia Molecular e de Interfaces (RENAMI). Formada por 17 instituições, a RENAMI tem como objetivo o estudo e o desenvolvimento de materiais nanoestruturados, interfaces e dispositivos de nanotecnologia molecular. Em entrevista ao site do Projeto Ghente, Malta faz um balanço da atuação desta Rede, fala sobre  os novos produtos na área da nanotecnologia  e  afirma que “a nanotecnologia é uma tecnologia limpa e que contribui para o desenvolvimento sustentável do país.

Por Karla Bernardo Montenegro

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"(...) o pesquisador não é treinado para fazer a interface entre a produção de conhecimento básico e o setor empresarial. A meta deve sempre ser o processo de inovação tecnológica, pois sem ele não há progresso com benefício social de fato." Oscar Malta
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Projeto Ghente - Após seis anos de funcionamento das redes de nanotecnologia financiadas pelo Cnpq, quais pesquisas são destaque na RENAMI?
Dr. Oscar Malta -
O projeto geral da RENAMI é formado por quatro temas de atuação: química molecular e supramolecular; filmes finos e interfaces; eletrônica molecular; materiais nanoestruturados moleculares. No presente estágio (RENAMI-Estágio III), uma das estratégias de ação é a aproximação com o setor industrial e empresarial. Como exemplos de trabalhos que vêm sendo desenvolvidos, de forma integrada, envolvendo empresas incubadas e empresas já estabelecidas, por grupos de pesquisa pertencentes à RENAMI, com grande potencial para aplicações tecnológicas, podemos mencionar: Desenvolvimento de dispositivos moleculares para células eletroquímicas e filmes moleculares como sensores FIA para sulfitos em vinho, Híbridos lamelares de argilas para catalisadores, sensores e baterias, Modelagem de compostos de coordenação para nanodosímetros moleculares de ultravioleta, para diodos orgânicos emissores de luz (OLEDs) e para marcadores ópticos em métodos fluoroimunológicos e histoquímicos e Nanopós (ZnO) para filtros de ultravioleta.

Há algum produto desenvolvido? Existem perspectivas?
Dr. Oscar Malta - Sim. Destaca os produtos mais Nanodosímetros moleculares de ultravioleta da família n-DOMO, juntamente com a empresa incubada Ponto Quântico Nanodispositivos, na Universidade Federal e Pernambuco. Equipamento(protótipo) e kits para fluoroimunoensaios (ELISA  e DELFIA), inicialmente para PSA e Leishmaniose Tegumentar Americana.

Em sua opinião, o pesquisador deve ter preocupações com a inovação? Ele deve ter noções de mercado?
Dr. Oscar Malta
- É preciso aqui distinguir dois processos não excludentes: o aprendizado tecnológico e a inovação tecnológica. A  meta deve sempre ser o processo de inovação tecnológica, pois sem ele não há progresso com benefício social de fato.
De modo geral o pesquisador não é treinado para fazer a interface entre a produção de conhecimento básico e o setor empresarial. Hoje em dia, na área da ciência dos materiais e da nanotecnologia ter um mínimo de noções de mercado é um pré-requisito que pode auxiliar muito o processo de transformação do conhecimento básico em produto.

Em sua palestra preparada para o evento “Novas Tecnologias da Genética Humana;Avanços e Impactos para Saúde”, o sr. sinalizou a importância da nanotecnologia como uma tecnologia limpa e que contribui para o desenvolvimento sustentável do país. Poderia nos falar mais desta questão?
Dr. Oscar Malta - O termo nanotecnologia aplica-se aos processos de manipulação da matéria em escala nanométrica, cujos estudos foram particularmente intensificados na década de 1980 com a descoberta das microscopias de força atômica e de tunelamento. Esses processos de manipulação permitem um controle muito maior sobre o que se está fazendo. Consequentemente permitem um controle maior sobre eventuais riscos e também uma maior racionalização de produtos que podem ser obtidos. Portanto, podem ser mais eficazes na matriz de ações governamentais e sociais que garantam a sustentabilidade. É claro que isso não implica em negligenciar a criação de Comitês de Ética e de acompanhamento das atividades de pesquisa. Tais Comitês são essenciais e fazem necessariamente parte do desenvolvimento científico como atividade social.

Em um artigo seu, publicado em 2002 no site da Comciência, o senhor afirmou que “A atividade científica é uma atividade social e que a forma de desenvolver temas de pesquisa científica e tecnológica através do sistema de redes tem levado a mudança de paradigmas e tem dado certo em países desenvolvidos”. Já aconteceu esta mudança de paradigma no Brasil?
Dr. Oscar Malta
- Essa mudança de paradigma já foi iniciada no Brasil e de forma irreversível. Acreditamos que estamos no caminho certo. Ela é fundamental para a consolidação e fortalecimento das instituições de pesquisa no país. Os pesquisadores brasileiros estão se conhecendo e interagindo muito mais que há apenas alguns anos atrás.

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