BIOÉTICA PARA TODOS

Projeto Ghente debate a importância de uma sociedade bem informada sobre as questões da Bioética

Por Karla Bernardo


Da Esquerda para a Direita: O coordenador adjunto do Projeto Ghente Wim Degrave, o médico José Luís Telles, a coordenadora do Projeto Ghente e da mesa Maria Celete Emerick e o Jornalista Marcelo Leite

Deixar de ser assunto para platéias especializadas e cair no cotidiano da sociedade. Este foi o desafio lançado pelo Projeto Ghente no I Congresso de Bioética do Rio de Janeiro. O desconhecimento dos assuntos ligados a Bioética como clonagem , transgênicos, reprodução assistida e manipulação genética por exemplo, atinge grande parte da população, inclusive no meio intelectual.Juízes tomam decisões sem conhecimento prévio, jornalistas levam questões pouco aprofundadas para o grande público, médicos não se atualizam e políticos pouco buscam na ciência, as informações para seus projetos. A conseqüência é a formação de um consenso coletivo recheado de conceitos equivocados.

Para debater com o público, a socióloga e coordenadora geral do Projeto Ghente e da Gestão Tecnológica da Fiocruz, Maria Celeste Emerick chamou para compor a mesa o médico José Luiz Teles da Escola Nacional de Saúde Pública , especializado em Bioética, o Biologista molecular e co-coordenador do Projeto Ghente Wim Degrave e o convidado especial Marcelo Leite, editor de ciência da Folha de São Paulo .

José Luiz Teles nos chama a atenção para a importância da informação precisa: " Se no passado, a revolução industrial ditou novos rumos para a humanidade, no presente nos deparamos com a revolução do conhecimento, em que a velocidade e a variedade de acontecimentos e descobertas obrigam o homem a redefinir antigos e instituir novos paradigmas para o viver humano.É neste contexto que se coloca a questão da informação", afirma.


O jornalista Marcelo
Leite na mesa redonda do Projeto Ghente.

Dentre os erros mais comuns, o determinismo genético é o mais enraizado na sociedade na opinião do jornalista Marcelo Leite " É comum as pessoas acharem que são os genes que definem o comportamento de um indivíduo.Muitos pensam:Se ele é um assassino, é por que nasceu assim, herdou o potencial dos seus pais" , exemplifica. Para Marcelo, é inegável o fato de que os indivíduos nascem com determinadas potencialidades genéticas, mas certamente ainda estamos longe de saber como este processo ocorre e mais ainda de interferirmos nele .

Para José Luiz, é muito importante que todo o público saiba que a genômica tem capacidade de alterar a medicina que conhecemos."Será possível tratar a doença antes da sua eclosão, utilizando intervenções cirúrgicas preventivas", afirma, o que concorda Marcelo Leite " O conceito de doença vai mudar.Poderemos tratar as pessoas nas suas pré-disposições e não na manifestação do sintoma ou da doença.", completa.Para ele, a sociedade tem que estar preparada para estas transformações. "A genética sempre esteve associada a idéia de risco potencial", alerta.-A genética e a biotecnologia são capazes de alterar a vida de todos nós.Estes temas têm que fazer parte do radar da sociedade - .

Como fazer a o cidadão comum discutir estes temas? Para o biologista Wim Degrave , o Portal Ghente já proporciona grandes transformações. " A cada dia aumenta o interesse em participar da Lista L , a lista de discussão do Projeto.Brevemente estaremos ampliando o formato e o portal ficará ainda mais interativo.", afirma. Segundo Wim, outro ponto fundamental é a página onde é possível consultar todos os projetos de lei que estão tramitando no Congresso e todas as leis que já existem e dizem respeito ao genoma humano. " Com o conteúdo de nossas discussões podemos contribuir muito para os textos legislativos.Este é um dos objetivos do Projeto: estimular a troca de informação, suscitar debates e contribuir nas políticas públicas, conclui.


Projeto Ghente produzindo conhecimento


Rodrigo Guerra e Maria Helena Lino na apresentação do pôster

A equipe do Projeto Ghente apresentou no I Congresso de Bioética do Rio de Janeiro o pôster " O início da vida humana:Uma abordagem ética e jurídica da utilização de células-tronco embrionárias".

Os autores, a advogada e gerente do Projeto Ghente, Maria Helena Lino e o biólogo Rodrigo Guerra alertam para a falta de proteção legal do embrião extra-uterino e discutem a possibilidade de utilização de células-tronco embrionárias como alternativa à cura de doenças.

Clique aqui para ler o texto na íntegra .