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Sexta-Feira 01 de Fevereiro 2008 Fonte : Globo Online

EFE

LONDRES - Mais de dez anos depois da clonagem do primeiro mamífero a partir de uma célula adulta, a ovelha Dolly voltou a gerar polêmica. Quatro cientistas britânicos pediram em carta à rainha Elizabeth II que retire o título de cavalheiro do sir Ian Wilmut, que tronou-se mundialmente conhecido por causa de Dolly. O grupo considera que o trabalho foi o resultado de uma equipe cujo envolvimento não foi reconhecido. Segundo o jornal britânico "Times", os cientistas dizem que o polêmico Wilmut é um "charlatão que carece do adequado conhecimento científico" e classificam a nomeação concedida ao ex-colega como um "insulto ao trabalho honesto".

Os pesquisadores alegam na carta à rainha que estão decepcionados não só porque seu trabalho não foi reconhecido, mas também porque se sentem usados. Sir Ian Wilmut, de 63 anos, foi nomeado cavalheiro pelos serviços prestados à ciência. Para os seus ex-companheiros, a ordem deveria ter sido partilhada com o Instituto Roslin e a Universidade de Edimburgo, cujo trabalho foi ofuscado.

"Nós realmente sentimos uma enorme amargura não apenas por não ter nosso trabalho totalmente reconhecido, mas também porque nós parecemos ter sido usados. O título de Wilmut é a coroação do insulto ao trabalho honesto", diz um trecho da carta publicada pelo "Times". Carta foi repassada ao primeiro-ministro britânico.

A carta foi assinada pelo biólogo molecular Prim Singh, o pesquisador Jeremy Brown, a especialista em bioinformática Pauline Ward e o diretor de nutrição da Roslin, Douglas Currie. Em uma resposta a Singh, a secretária de Elizabeth II explicou que a indicação das pessoas que recebem a ordem de honra depende do primeiro-ministro.

O assunto foi transferido ao governo britânico para que o responsável pela decisão seja o premier Gordon Brown. Segundo Singh, Wilmut reconheceu que não é o único responsável pelo nascimento de Dolly, mas um acordo com seu colega Keith Campbell teria permitido que ele aparecesse como líder da equipe de pesquisa.

- Ele admitiu que não é o cérebro por trás de Dolly. Premiá-lo com um título de nobreza repercute muito mal para a ciência na Escócia - disse Singh.

Criada no Instituto Roslin, na Escócia, Dolly nasceu em julho de 1996. Sua existência e o êxito da clonagem só foram revelados em 23 de fevereiro de 1997. A ovelha morreu em fevereiro de 2003. Ela sofria de uma doença progressiva no pulmão e foi submetida à eutanásia.

Na época, foram necessárias 277 tentativas para se criar Dolly. Hoje, em média, são necessárias de 150 a 200 para se obter um animal clonado. O avanço não seria tão significativo, embora especialistas de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil, já tenham repetido a experiência com bois, camundongos, porcos e gatos, entre outros animais.

Anos depois da clonagem de Dolly, Wilmut passou a se dedicar a clonagem de embriões humanos para a obtenção de células-tronco, alvo de críticas por, supostamente, interromper a vida humana. No ano passado, o cientista anunciou que trocaria o método por uma técnica em desenvolvido no Japão que dispensa o uso de embriões. À época, ele afirmou que a nova técnica seria "socialmente mais aceitável".

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